No distrito da Manhiça:
Treinadas cerca de 200 mulheres sobre Desflorestamento e Eficiência Energética

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No âmbito do projecto “Empowering Communities”, para adaptação às mudanças climáticas, a Livaningo treinou no ano passado, no distrito da Manhiça, província de Maputo, cerca de 200 mulheres em matérias de desflorestamento e eficiência energética, visando consciencializar as comunidades sobre o uso sustentável de florestas e apresentar alternativas que possam mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Desde 2012 que a Livaningo tem vindo a promover nas comunidades do distrito da Manhiça e Magude, o uso de fogões melhorados fixos e móveis como parte da solução para reduzir o desflorestamento e tempo gasto pelas comunidades na busca de combustivel lenhoso.

Rosa Francisco, de 53 anos de idade, defende que a formação ministrada pela Livaningo em parceria com as autoridades locais foi bastante proveitosa, porque ajudou as comunidades a adquirir conhecimentos básicos sobre a importância da conservação das florestas para o bem das comunidades. “De hoje em diante passarei a aplicar e a replicar os conhecimentos adquiridos, como o replantio de árvores nas áreas devastadas e evitar queimadas descontroladas”, disse.

 A questão do desfloresramento florestal é um assunto muito sério a nivel daquela comunidade e do distrito, segundo Maria Wate, de 69 anos de idade e residente no bairro 8º Congresso, localidade Nwamatidjuana, posto administrativo 3 de Fevereiro. “E isso tem impactado as nossas vidas, nos últimos anos a chuva não têm caído com regularidade o que contribuí para fraca produção agricola. Em algumas áreas, as fontes locais como a lenha estão completamente esgotadas, facto que nos obriga a percorrermos longas distâncias em busca do combustivel lenhoso”.

O assistente de programas da Livaningo, Rui Muthambe, explica que os treinamentos sobre a gestão sustentável de florestas têm sido continuos porque pretendem incutir nas comunidades a responsabilidade de fazer as suas actividades sem danos para o ambiente. “Deve haver maior esforço por parte das autoridades locais, em sensibilizar as comunidade sobre a importância do replantio de árvores”.

A Livaningo tem apostado na promoção do uso de fogões melhorados fixos e móveis nas comunidades, visando minimizar os gastos com a lenha e carvão.

De acordo com os resultados definitivos do censo habitacional de 2017, cerca de 70% da população moçambicana vive em zonas rurais, sobrevivendo à custa dos recursos naturais locais.

As florestas desempenham um papel muito importante para as comunidades, para além de fornecerem lenha, carvão vegetal, madeiras e outros bens valorizados pelo mercado, as florestas proporcionam importantes benefícios indirectos, se forem manejadas racionalmente. (Mafuca, 2001).[1]

Dados publicados em 2018 pelo Banco Mundial, apontam que em Moçambique, 267.000 ha  (0,79%) das florestas são perdidas anualmente. Isso é mais que 1000 campos de futebol perdidos todos os dias.[2]

A maioria do desmatamento e degradação florestal é causada por práticas agrícolas insustentáveis.


[1] https://paginas.fe.up.pt/clme/2017/Proceedings/data/papers/6560.pdf

[2] https://www.worldbank.org/pt/news/infographic/2018/12/12/forests-of-mozambique-a-snapshot

 

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