Mais de 150 mulheres receberam kits de negócios em Mogovolas e Angoche

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No âmbito do projecto “Aceleração da Prevenção e Resposta a Violência Sexual baseada no Género e aos Casamentos Prematuros de Raparigas Adolescentes e Mulheres Jovens em Moçambique” integrado à iniciativa Spotlight em parceria com a ONU Mulher, implementado pela Livaningo, nos distritos de Mogovolas e Angoche na província de Nampula, 162 mulheres vulneráveis, portadoras de deficiência, viúvas, etc,  integradas em  grupos de poupança de crédito rotativo, beneficiaram de kits para pequenos negócios.

A iniciativa foi antecedida por pequenas formações facultadas às beneficiárias pela Livaningo, visando capacitar o grupo alvo em matérias de pequenos negócios, aprimorarando os conhecimentos das mulheres e raparigas sobre finanças,  planificação e gestão de negócios. As mesmas foram integradas em grupos de PCR (Pouponça e Crédito Rotativo) com acesso a fundos para gerar negócios próprios.

Para a implementação desta iniciativa nas comunidades dos postos admnistrativos de Aube, Namitoria, Namaponda e Angoche Sede (distrito de Angoche) e Nametil, Luluti, Nanhupo Rio e Muatua (distrito de Mogovolas, a Livaningo tem contado com o inestimável apoio das instituições governamentais locais e provinciais de Género, Criança e Acção Social, Actividades Económicas, Gabinete de Atendimento à Família e Menor Vítima de Violência (GAFMVV).

A coordenadora do projecto, Berta Membawaze, explicou que, a Livaningo selecionou algumas beneficiárias em cada grupo, mediante o seu plano de negócio. “Para esta primeira fase, selecionamos apenas cinco tipos de negócios: produtos alimentares, salão de cabelereiro, salão de corte, fardo de roupa e utensilio domésticos”, disse Berta que acrescentou que cada kit de negócio tem um custo estimado em cerca de sete mil meticais.

“Cada beneficiária deverá devolver a cada 30 dias ao grupo, um pouco do valor até completar o  correspondente ao kit que recebeu, de modo que outras mulheres possam servir-se desse dinheiro para também adquirirem produtos para os negócios.’’, explicou a coordenadora do projecto para quem a expetativa é que mais mulheres possam buscar e ter alguma independência financeira e possam por essa via, assegurar a sua autonomia e maior poder de decisão sobre as suas vidas.

Adelina Moliua, 54 anos de idade, residente do bairro Puli, em Angoche Sede, mãe de quatro filhos, solteira e deficiente que tem a missão de prover sustento para a sua família, viu no projecto, implementado pela Livaningo, uma oportunidade para ser auto dependente. Ela conta que vivia sem esperança de uma vida melhor, desde que há 11 anos foi abandonada pelo cônjuge, até ser integrada no grupo de poupança e ser selecionada para receber kits de produtos alimentares para iniciar um negócio.

“Antes da ajuda do projecto, não fazia nada e não tinha fonte de rendimento, apenas vendia aos bocados o meu espaço. Felizmente, agora tenho um negócio que está andar bem e garante o sustento da família sem necessidade de aperder o meu património”, contou Adelina.

Para Fátima José, beneficiária do grupo de poupança de Okala Okalihwrana, distrito de Mogovolas, o projecto foi como uma dádiva divina, uma vez que, antes do mesmo não dispunha de três refeições diárias e muito menos um futuro. “Primeiro participei de uma formação que ensinava como tornar sustentável um pequeno negócio e depois recebi um kit para iniciar uma actividade que mudou complentamente a minha vida. Estou muito grata”, agradeceu Fátima.

Por causa da sua deficiência (nanismo), Madalena Almeida, 25 anos de idade, viúva e mãe de um filho, residente no bairro Johar B, em Angoche Sede, viu-se vitíma de discriminação e mergulhada na pobreza ao ponto de viver numa casa sem tecto e desprovida de meios para garantir refeições diárias. “Antes de ser integrada no grupo de poupança e crédito rotativo e receber o kit de negócio, não tinha fonte de rendimento, não tinha refeições básicas, as vezes tinha apenas uma refeição por dia, da pequena machamba quase saia nada saía, as vezes tinha ajuda do governo a partir do INAS, por isso, digo que a ajuda chegou na hora certa. Vendo diversos produtos alimentares e não tenho razões de queixas”, disse Madalena visivelmente emocionada.

O projecto que pretende beneficiar directamente cerca de 1200 mulheres nos distritos de Angoche e Mogovolas, integra também mulheres e raparigas em cursos profissionalizantes como carpintaria, canalização, electricidade, culinária, corte e costura o qual disponibiliza kits de iniciação de negócios para cada uma dentro da sua área de formação. O programa que tem a duração de sete meses, prevê igualmente criar e fortalecer seis associações ou cooperativas de mulheres e raparigas através da avicultura comercial e instalar 150 agentes de serviços financeiros móveis.

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