Uma história de superação aos tramas da guerra em Cabo Delgado

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O espectro de guerra que se vive em Cabo Delgado, aterrorrizando homens, mulheres e crianças já obrigou milhares de pessoas a refugiarem-se na província de Nampula em busca de paz. Fala com voz embargada e com um olhar no horizonte, como se buscasse respostas da razão de perder tudo numa acção violenta e sem explicações. Makondinho André, de 32 anos de idade, é o retrato de milhares de pessoas que foram forçadas a recomeçar a vida em Nampula.

Camponês proveniente de Macomia, encontramo-lo no Centro de Reassentamento do posto Administrativo de Corrane, distrito de Meconta, juntamente com sua esposa e filho.

A Livaningo visita o centro de reassentamento no âmbito da rápida intervenção humanitária aos deslocados vitíma dos insurgentes em Cabo Delegado. Makondinho conta que antes do infórtunio abater-se sobre si e de milhares de famílias, produzia safras consideráveis de feijão nhemba, milho, gergelim, tomate, quiabo, abóbora e alface numa área de cerca de 1 hectare. Para além da agricultura criavam galinhas e outros animais de pequeno porte para o consumo e venda.  A agricultura e a pecuária permitiu Makondinho construir uma casa de alvenaria e garantir sustento e estudos para os filhos. A vida corria sem sobressaltos.

Contudo, numa fatidiga noite de Julho de 2020, insurgentes denominados “Al-shabab” invadiram a região semeando terror e luto. “Quando tudo começou eu estava em casa junto com a minha família, pelas 19 horas e fugimos para o mato. O ataque durou 4 dias e perante este período, não comíamos quase nada e reinava muita insegurança. Muitas crianças perderam a vida por falta de alimentos”, lembrou lavado em lágrimas.

Com o ataque, Makondinho e tantas outras pessoas em Macomia, perderam tudo. “Depois de 3 dias, eu e a minha família achamos melhor sair do distrito para província de Nampula, em Namialo, e viajamos com custos pessoais do valor adquirido na venda das galinhas”.

Chegados em Nampula, Makondinho e outros foram recebidos pelo Governo que 3 meses depois os encaminhou ao Centro de Reassentamento de Corrane, onde residem até hoje.

“Quando chegamos aqui em Corrane, recebemos uma tenda 30 X 20 metros, rancho mensal, composto por arroz, óleo, feijão-manteiga, farinha e outras coisas como galinhas e sementes de culturas agrícolas”, contou Makondinho visivelmente satisfeito por poder recomeçar a vida, ainda que distante da sua terra de origem.

“A vida aqui no reassentamento está mais dificil, comparando com a vida que levava em Cabo Delgado, contudo, nada é pior que viver num ambiente de guerra e incerteza.”

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