Formação é crucial na indução da mulher rural à protecção do ambiente

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Há uma necessidade de promover-se a mudança de consciência e de atitudes para conter os efeitos das mudanças climáticas. A mulher desempenha um papel muito importante neste processo, pois é a mais afectada. É preciso influenciá-la para fazer parte do desenvolvimento de uma comunidade. Aliás, diz o ditado “quem educa uma mulher educa um povo”.

Exemplos mais nítidos de que as alterações climáticas prejudicam a mulher são os eventos que ocorreram a volta dos frequentes ciclones que abalaram Moçambique nos últimos tempos.

O ciclone Idai por exemplo, além de tirar inúmeras vidas, destruiu mais de 684 mil hectares de diversas culturas, colocando populações situadas em Sofala, Manica, Tete, e Zambézia, numa situação de fome iminente. Para além de ficarem sem culturas, durante um tempo considerável ficaram sem terra e condições para cultivar, o que deixou a mulher, sobretudo a rural, numa situação caótica, pois a maioria vive da agricultura e tem inúmeros filhos para cuidar. Aliás, a Unicef afirmou que os ciclones Idai e Kenneth colocaram mais de 1,3 milhão de crianças precisando de assistência humanitária.

Entretanto, a experiência da Livaningo, nas comunidades rurais, demonstra que a promoção da mudança de comportamento precisa ser feita por meio de actividades de formação complementadas por programas de aplicação de medidas para minimização do impacto das mudanças climáticas ao nível das comunidades.

Em 2020, a Livaningo trabalhou com comités de gestão das calamidades, em Boane e orientou formações sobre desflorestamento e eficiência energética, como forma de colocar em prática o que se estava a ensinar, promoveu sessões de plantio de árvores, visando mostrar a mulher que ela pode fazer algo em prol do meio ambiente.

Em Sofala está em implementação um programa de criação de resiliência ou melhoria das condições económicas das mulheres, porque quando a mulher tem uma condição económica estável fazendo negócios tem possibilidade de construir uma casa utilizando material mais resistente às mudanças climáticas. Neste âmbito, há grupo de mulheres conduzidas para poupança; venda de lâmpadas solares e; treinamento para produção de fogões melhorados para uso doméstico e venda. A produção de fogões melhorados contribui para redução do consumo da biomassa; abate de árvores e; substituição dos fogões convencionais que são prejudiciais para o ambiente.

O objectivo de todas estas actividades é colocar a mulher na dianteira e por meio da instrução fazer a mulher agir consciente da necessidade de proteger o meio ambiente.

No capítulo da formação em relação as mudanças climáticas, Moçambique tem avançado e a evidência disso é a existência de vários cursos ligados ao ambiente no ensino superior. Contudo, as actividades da Livaningo mostram a importância de levar o conhecimento da relevância da preservação do meio ambiente para a base, privilegiando a mulher para impulsionar a mudança de comportamento ao nível da comunidade. Sendo o meio ambiente um assunto fundamental para existência humana e um tema transversal, é necessária a promoção de iniciativas massivas de abertura de conhecimento para as comunidades e programas de protecção do meio ambiente que recorrem a tecnologias melhoradas, com vantagens económicas em relação as aquelas que prejudicam o meio ambiente.

Da convivência com as realidades comunitárias, a Livaningo constatou que as mulheres rurais antes de passarem pela instrução não faziam ideia das implicações ambientais das suas atitudes para o meio ambiente. Através das orientações, as mulheres passaram perceber que por meio das acções domésticas, elas têm responsabilidade de apostar em actividades de protecção do meio ambiente. A adopção de programas de aplicação do conhecimento adquirido nas formações, permitiu que as mulheres abrangidas pudessem servir de exemplos a serem seguidos ao nível das comunidades em que estão inseridas.

Os exemplos de iniciativas que resultaram na mudança de comportamento da mulher rural e posterior influência despertou interesse de envolvimento de outras mulheres nas boas práticas ambientais, assegurando a réplica massiva do modelo aplicado pela Livaningo, a nível das comunidades irá gerar um maior número de pessoas conscientes da necessidade de conservar o meio ambiente e aplicando práticas para minimização do impacto das mudanças climáticas.

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