Jovens engajados na resiliência e mitigação climática nas comunidades do distrito de Namaacha

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O distrito de Namaacha localiza-se no sul de Moçambique, província de Maputo. A vila situa-se num planalto da cordilheira dos Montes Libombos, junto às fronteiras da África do Sul e da Suazilândia. O índice de pobreza da população é de 50%.

Algumas zonas são áridas, devido às queimadas descontroladas praticadas pela população, o que impulsiona ao surgimento de acções de correcção ao maneio comunitário de recursos naturais.

Para a mitigação dos impactos das mudanças climáticas, as comunidades locais têm sido sensibilizadas para o fomento de culturas resistentes a secas e das árvores de frutas e o governo distrital tem construído diques para a retenção da água e para a irrigação da terra.

Os comités visitados recentemente, no distrito de Namaacha, nomeadamente Baka-Baka e Matsequenha debatem-se com uma gritante falta de água, resultante da seca que fustiga aquela região do país. Entretanto, jovens locais disseram à Livaningo que a criação dos comités de prevenção de desastres pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) há três anos, ajudou a minimizar as comunidades locais a terem mais conhecimento sobre as mudanças climáticas e a encontrarem soluções para a produção agrícola.

 “A falta de água tem sido o nosso maior calcanhar de Aquiles devido a seca que assola a nossa região com mais impeto desde década 2000”, começou por dizer Lucinda Chipande, residente do povoado de Baka-Baka. Lucinda explicou que após algumas formações ministradas pela Livaningo e GVC sobre as mudanças climáticas e acções de mitigação, alguns jovens tentaram plantar árvores na comunidade mas sem sucesso porque não chove e não há água para regar.

“Para termos água de consumo doméstico dependemos da empresa CMC que vem dus vezes por semana”, disse Lucinda para depois acrescentar que cada família tem o direito de encher 10 bidons de 20 litros duas vezes por semana.

Todavia, nem sempre a empresa consegue abastecer, facto que obriga as comunidades locais a irem ao rio infestado de crocodilos para tirar água turva e imprópria para o consumo. “Quando a CMC não traz recorremos ao rio para tirar água suja, salgada e que tem crocodilos que nos atacam”.

Em Baka-Baka, a terra está seca devido a escassez de chuvas, por isso improdutiva. Para produzir milho e algumas horticolas, os comités tiveram ajuda de uma organização não governamental que comprou uma motobomba que puxa água do rio para as machambas.

“Para produzir usamos uma motobomba oferecida por uma ONG e como comité constituido por 15 pessoas contribuimos dinheiro para comprar combustivel”, explicou Marta Jorge que queixa-se da falta da chuva naquela localidade.

Para Marta o maior problema da comunidade é a seca que impede os camponeses de produzir “aqui na associação não chegamos de produzir nada porque houve muito calor e estamos a iniciar novamente e não sabemos se vamos conseguir alguma coisa.”

Noêmia Macuacua, de 28 anos idade defende que o governo distrital deve criar condições para canalizar água do FIPAG para as comunidades, uma vez que o tubo condutor de distribuição do precioso liquido passa a escassos metros da comunidade. “Penso que o governo podia querendo canalizar água para aqui. Infelizmente ninguém se preocupa connosco”, queixou-se Noêmia.

Por sua vez, Rita Muchanga do comité de Matsequenha explicou que a comunidade local tem tido algumas formações para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.  “A GVC e Livaningo sensibilizaram-nos para o plantio de árvores e outras acções de resiliência. Infelizmente, as árvores não crescem devido a seca”.

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