Na localidade de Siluvo, no distrito de Nhamatanda, província de Sofala, um microprojecto comunitário está a mudar vidas. Com fogões melhorados que reduzem o consumo de lenha em até 60%, o Comité de Gestão de Recursos Naturais (CGRN) local transforma a luta contra a desflorestação numa oportunidade de rendimento, autonomia e paz familiar.
Siluvo, uma localidade semiárida de Nhamatanda, em Sofala, sempre viveu presa à dependência da lenha e do carvão. Para as mulheres, cozinhar significa horas de caminhada diária em busca de combustível, exposição a riscos e um fumo tóxico que adoece. O tempo longe de casa alimenta tensões conjugais, ciúmes e, por vezes, violência doméstica. Os homens, afastados pelo fumo sufocante dos fogos tradicionais de três pedras, deixam as mulheres isoladas no espaço da cozinha.
Hoje, essa realidade começa a mudar graças a uma iniciativa inovadora da Livaningo. Apoiada pelo Projecto CUCOIA, financiado pela organização dinamarquesa Sustainable Energy e pela CISU (Civil Society in Development), a comunidade de Siluvo passou de mera fiscalização florestal para produtora de soluções climáticas. O CGRN local está agora a fabricar e secar fogões melhorados poupa-lenha, uma tecnologia simples, acessível e altamente eficiente. “O financiamento deu-nos a estrutura que precisávamos. Deixámos de ser apenas fiscalizadores da floresta e passámos a ser produtores de soluções para a nossa comunidade”, afirma Anita Fagema, membro do CGRN de Siluvo.
Em vez de uma simples doação, o apoio do CUCOIA foi pensado como investimento na capacidade local. O comité consolidou três pilares essenciais, nomeadamente, a capacitação técnica — formação na recolha sustentável de materiais e na construção de fogões eco-eficientes; Infraestrutura comunitária — Criação de um espaço dedicado à produção e secagem dos fogões e; Sustentabilidade económica — Treinamentos em custos de produção, precificação e estratégias de marketing para garantir que o projecto se mantenha sozinho.
Quando as vendas começarem a sério, os benefícios serão imediatos e multiplicadores como a redução de 50% a 60% no consumo de lenha, aliviando a pressão sobre as florestas e permitindo a regeneração natural da biodiversidade; As famílias poupam dinheiro no carvão ou lenha, enquanto o CGRN gera receitas que serão reinvestidas em acções comunitárias e; Menos fumo significa menos problemas respiratórios para mulheres e crianças. As mulheres ganham tempo precioso, que podem dedicar à educação dos filhos, actividades geradoras de rendimento ou simplesmente ao descanso.
O projecto vai além da tecnologia, uma vez que, devolve dignidade, reduz conflitos familiares e reforça o papel das mulheres e do comité como agentes de mudança.
Em suma, Siluvo não é apenas um projecto piloto, é um farol de resiliência climática na província de Sofala. Ao unir conservação ambiental, empoderamento económico e igualdade de género, o modelo demonstra que as soluções mais eficazes nascem quando as próprias comunidades são protagonistas. Com a produção em pleno andamento, a expectativa é que Siluvo inspire outras localidades do país. Porque, numa altura em que as alterações climáticas e a degradação florestal avançam, iniciativas como esta provam que a mudança é possível, e começa no fogão de casa.