Em Moçambique, falar de empregabilidade feminina é falar de desigualdade estrutural. Apesar de as mulheres representarem mais de metade da população e uma parte significativa da força de trabalho, continuam a ocupar as posições mais precárias da economia: agricultura de subsistência, comércio informal, trabalho doméstico não remunerado e actividades de baixo rendimento. Para milhares de mulheres rurais, o mercado de trabalho não é um espaço de oportunidade, mas sim de exclusão.
Esta realidade é particularmente visível na província de Nampula, nos distritos de Mogovolas e Ribáuè, onde a pobreza, as vulnerabilidades climáticas, a fraca industrialização e as normas sociais de género limitam fortemente as possibilidades de inserção económica das mulheres. A maior parte das jovens e mulheres adultas cresce sem acesso a formação profissional, sem capital para investir e sem redes que facilitem o acesso a mercados.
É neste contexto que a Livaningo, no âmbito do seu trabalho de desenvolvimento comunitário e promoção da resiliência económica, implementou o projecto “Fortalecer a participação na vida social e económica de grupos marginalizados na província de Nampula – SOWI”, financiado pela ADRA Alemanha. Como parte da sua estratégia, a organização providenciou formação técnica a 40 mulheres dos distritos de Mogovolas e Ribaué que durante 3 meses receberam formação em diversas áreas, tais como corte e costura, electricidade, culinária e confeitaria, através da parceria. Mais do que números, estas mulheres representam histórias de resistência, sobrevivência e busca por dignidade económica.
Este artigo propõe uma reflexão crítica sobre as barreiras estruturais que impedem o acesso das mulheres ao trabalho digno e sobre como a combinação de formação profissional e kits de autoemprego cria oportunidades reais, ainda que desafios estruturais permaneçam.