Assunto: Apelo urgente aos municípios de Maputo, Matola, Marracune e Boane para acção imediata e soluções estruturais após as graves inundações
A Livaningo, organização da sociedade civil moçambicana comprometida com a justiça ambiental e social, vem manifestar a sua profunda consternação e solidariedade com as centenas de famílias de Maputo, Matola, Marracuene e Boane afectadas pelas graves inundações que assolam Maputo desde o início de Janeiro de 2026.
Os relatos amplamente divulgados pelos meios de comunicação social que detalham o drama vivido em bairros dos municípios de Maputo, Matola, Marracuene e Boane são a prova gritante do falhanço estrutural contínuo na gestão das águas pluviais. O cenário é intoleravelmente familiar: casas submersas, bens materiais destruídos, vidas interrompidas e um sentimento de abandono por parte dos governos locais. As histórias de residentes que, há mais de 15 anos, são forçados a abandonar repetidamente as suas casas, não são notícia; são a crónica de uma crise anunciada e negligenciada1.
A Livaningo há anos alerta sistematicamente a quem de direito para a necessidade urgente de investir em sistemas de drenagem resilientes e abrangentes. Os avisos vermelhos do Instituto Nacional de Meteorologia materializaram-se em sofrimento humano previsível. A existência de fundos anunciados, como os referidos em reportagens anteriores, levanta sérias questões sobre transparência e execução quando, perante a emergência actual, as comunidades continuam sem ver obras que mitiguem de facto o problema. Por exemplo, qual é a eficiência e eficácia das obras de reabilitação das drenagens de 4 km na Baixa da Cidade de Maputo, sendo que se verificam enchentes na Avenida 25 de Setembro?